Imagens de abuso infantil criadas por IA explodem e faz autoridades alertarem famílias
Aviso: esta matéria aborda violência sexual contra crianças e adolescentes. O texto não contém descrições gráficas. A quantidade de imagens de abuso sexual infantil criadas com inteligência artificial cresceu de forma acelerada em 2026. Somente no primeiro semestre, a Internet Watch Foundation (IWF) identificou mais …
Aviso: esta matéria aborda violência sexual contra crianças e adolescentes. O texto não contém descrições gráficas.
A quantidade de imagens de abuso sexual infantil criadas com inteligência artificial cresceu de forma acelerada em 2026. Somente no primeiro semestre, a Internet Watch Foundation (IWF) identificou mais de 6,3 mil imagens geradas por IA que se enquadravam na definição legal de material de abuso sexual infantil, número 40% maior que o registrado durante todo o ano de 2025.
Os dados levaram organizações de proteção e autoridades britânicas a reforçar um alerta às famílias: fotos comuns de crianças publicadas abertamente nas redes sociais podem ser capturadas e manipuladas com ferramentas de IA.
A recomendação da IWF e da National Crime Agency (NCA), do Reino Unido, é revisar quem pode acessar essas imagens e evitar deixá-las disponíveis publicamente.
O problema também ganhou atenção no Brasil. Além do ECA Digital, em vigor desde março, uma lei sancionada em agosto passou a enquadrar expressamente materiais produzidos, manipulados ou gerados com inteligência artificial que simulem violência sexual contra crianças e adolescentes.
IA facilita criação de novas imagens de abuso
Os números mais recentes da IWF consideram imagens estáticas. Em 2025, a organização havia contabilizado 4.512 delas. Nos seis primeiros meses de 2026, o volume chegou a 6.310.
Entre os casos nos quais foi possível registrar idade e gênero, meninas apareciam em 98% das imagens identificadas. Crianças entre sete e 13 anos representavam 79% do material analisado pela organização no período.
Há duas frentes de preocupação. Ferramentas generativas podem produzir imagens inteiramente sintéticas, mas também permitem modificar fotografias de crianças reais. Nesse segundo cenário, uma imagem comum publicada na internet pode servir como matéria-prima para criar um conteúdo falso.
O serviço Report Remove, usado para ajudar jovens a impedir a circulação de imagens íntimas, recebeu neste ano 420 relatos de menores de idade envolvendo fotos que acreditavam ter sido falsificadas ou manipuladas para parecer explícitas. O volume já superou os 397 registros de todo o ano passado, segundo o Guardian.
Por isso, a NCA e a IWF recomendam que pais e responsáveis verifiquem as configurações de privacidade de suas redes, revisem quem tem acesso às fotos dos filhos e considerem grupos restritos, como a opção de “amigos próximos”, para compartilhá-las.
Também vale revisar imagens antigas e autorizações dadas a escolas, clubes e outras instituições para publicar fotografias.